quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Alguma luz

Dizem que cada átomo do nosso corpo, 
alguma vez foi parte de uma estrela. 
Talvez eu não vá embora, 
talvez eu vá pra casa
Vincent Van Gogh



Somos poeira cósmica 

Partículas de alguma constelação 

E ao acessarmos esses registros

Irradiamos nossa luz

Como fragmentos de estrelas

A luz que me habita

Que se expande

Brilha

A canção que voa pelo vento suavemente 

Sou nota

Melodia

Enquanto sonho

Infinita

Onde pensamentos não tem limites espaciais ou dimensionais

Sou livre

Inteira

Na plenitude do presente

Que me refaço

E me componho

De todas as minhas urgências 

Meu corpo, minha morada

Sou terra fértil 

Água que flui

Fogo que incendeia

Ar que se espalha em brisa divina

Porque sou terra e ainda céu 

Sou sopro de vida

Pó estelar

Para além dessa vida


 

sábado, 14 de dezembro de 2024

Alma poética

São tempos de noites mal dormidas 

Sono escasso, cansaço extremo,  exaustão 

Qual a relação dos arrepios na minha pele

Com o caos que habita minha mente?


As horas passam e com segundos gritam

Sem nem notar já se passaram 12 meses

Vivendo desordenadamente e por vezes 

Absolutamente no automático 


Eu só quero que esse ano acabe

Com a ingênua esperança de que talvez ano que vem tudo possa ser diferente 

Parece que estou tão perto da felicidade

Ela sempre está um passo a minha frente


Não rimo porque a vida nem sempre é afável ao coração de uma alma poética 

domingo, 4 de agosto de 2024

Um presente dos deuses

 


O fogo transmuta... arde até consumir todo o combustível que o mantém 

Esse inexplicável presente dos deuses sempre me fascinou

O que fazemos para arder ou para manter essa chama que nos incendeia?

Ele nos beija e aquece nossas almas

Tu me beijas e me tens por inteira

 

Nossas chamas se unem numa dança etérea 

Em alguma vida já nos encontramos?

Pois há algo de familiar no curto espaço e tempo que dividimos

(Talvez o vinho me permita imaginar o que seriamos se tivéssemos uma chance no aqui e agora)


Ouves os sons das estrelas

Sentes o chamado do vento

Respiras comigo a canção dos despertos

Talvez não nessa existência, mas em alguma outra dimensão, eu sei, tu sabes...

quarta-feira, 24 de julho de 2024

Ao poeta que se cala

 

Quando escrevia
Em profunda comunhão
Com o que sentia
Seu estro incomum
Enaltecia
Era poema
E poesia

Acalentava
A leve brisa
Mas não ousava
E em silêncio
Sonhava
E chorava
A triste sina

Saber-se assim
Saber-se tanto
Saber-se só
E no momento
Fazer-se gelo
Tornando em pó
Seus sentimentos

Por que estático?
Por que o medo?
Pesavam-lhe as palavras que não dizia
Morriam
Ávidas
Em desmedida
Agonia

Não se rendeu
Mesmo diante de todos os sinais
Pediu a Deus
Uma resposta
Ou apenas
Que levasse embora
Toda a dor
Sem mais demora

Gritou
Do calabouço
Aprisionou
O seu desejo
Único jeito
De continuar
Longe dos olhos
Tentaria não lembrar

Mas a vida
Essa corrente
De promessas
Ninguém sabe onde nos leva
E a brisa
Sublime
Vem, embala
Passa
E não espera

quarta-feira, 10 de julho de 2024

Versos de Passagem

 

"E se conseguísseis maravilhar-vos com os milagres diários da vossa vida,

a vossa dor não vos pareceria menos intensa do que a vossa alegria;

E aceitaríeis as estações do vosso coração, tal como haveis aceite as estações que passam sobre o vossos campos.

E passaríeis com serenidade os invernos das vossas mágoas!"

Khalil Gibran

 

A correnteza mudou de direção
E eu não nado sem me cansar na contramão
Deixarei o fluxo das águas seguir
Evitando o que não evitei
Jogando tinta que cubra
Todas as nuances de cores
Dos quadros que pintei
Calando a canção
Nos lábios desabrochados
Adormecendo
O que foi despertado
Mortificando os medos
Que me afundam em noite escura
Penumbra
Que assola meus desejos
Vou descendo
Arranhando as paredes da memória
Relembrando o que quero esquecer
São reminiscências de ternura
Mas não há espaço para a candura
Não agora...
Deixo o tempo correr
E corroer
É preciso aceitar
O que não fica
É preciso dar adeus
Ao que não aconteceu
É preciso morrer
Para renascer

Brevidade

Eu tive alguns instantes de alguma breve felicidade 

Uma leveza acima das dores

Ela voou e se aninhou por entre meus pensamentos

Fugaz, mas que me permitiu compreender a alegria desconfortável ainda que na ausência do que sempre será insubstituível 

Somos todos um ciclo, em ciclos vamos moldando nossas vidas

Somos todos breves, como breves são as alegrias

Somos começo e fim


segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Isso não é uma poesia

Isso não é uma poesia ou uma prosa poética

Está mais para um desabafo, um lamento

Meu Natal de 2023 foi num hospital

O Réveillon no cemitério

Foi um golpe duro demais, cruel demais

E pela primeira vez desde que me conheço não fiz planos e não sei o que esperar de 2024

Na verdade não espero nada

Sonhamos tanto, almejamos e projetamos idealizações e realizações que na maioria serão fracassadas

Sobrevivemos com muita luta e poucos momentos de alegria, tudo o mais são obrigações e rotina

E tédio de uma vida sem sentido

De dias que trazem mais dores e traumas para um mínimo de evolução espiritual 

Eu não espero nada, eu não senti o virar de mais um ano e sinto que estou na continuação de um 2023 bem infeliz que parece que não encerrou