domingo, 2 de novembro de 2025

Contemplação

O tempo me pede paciência, como quem desenha uma imagem com a perfeição que só pode ser divina. E eu, desejando entender o que hoje ainda não passa de um esboço irreconhecível tento antecipar seus contornos impossíveis de serem humanamente adivinhados. Há uma esperança docemente tola em tentar acertar a obra final do Artista, logo eu, alma de mente inquieta e coração intenso, tropeço nos meus enganos e choro as desilusões que eu mesma crio. Mas sigo, sentindo que estou a um passo do abraço terno do destino. Imagino repousar o rosto e respirar alívio. Parece-me que interpretei errado esse suposto descompasso entre o que quero e o que mereço. Pois travei batalhas que ainda que fosse vencedora eu teria perdido, porque me esqueci de mim pelo caminho. Mas o tempo, tem me ensinado a apreciar seu processo de criação. Deixa eu desacelerar, confiar e contemplar esse desenho em formação.